Investigação académica recente conduzida pelo reconhecido economista do M.I.T. Daron Acemoglu procurou saber o que acontece quando um CEO com um mestrado numa Business School, nomeadamente o grau de MBA, substitui um CEO sem essa mesma formação académica. A sua conclusão essencial foi a de que os empregados das empresas geridas por este tipo de gestor viram os seus salários baixar nos cinco anos seguintes, em comparação com empresas semelhantes, mas geridas por outro tipo de formação — uma queda salarial de 6% nos EUA e de 3% na Dinamarca. O estudo conclui ainda que pagar menos aos trabalhadores torna essas empresas um pouco mais lucrativas, mas sem que esse lucro resulte também de aumento das vendas.
Num podcast recente, Acemoglu explicou: "as principais descobertas do nosso estudo são, na verdade, muito simples. Assim que se tem um gestor de escola de negócios, vê-se um declínio relativo nos salários. Nos cinco anos que se seguem, os salários destas empresas são cerca de 6% inferiores a empresas comparáveis nos EUA e cerca de 3% mais baixos na Dinamarca"
Os investigadores justificam este fenómeno na mudança dos curricula das business school ao longo das últimas décadas: "Os programas de MBA têm crescido ao longo dos anos menos focados em aspetos técnicos de finanças e gestão, e mais obcecados com a maximização exclusiva do valor dos acionistas. Como resultado, os trabalhadores têm sido cada vez mais vistos como custos a reduzir e não como um investimento no capital humano."
Este é, na minha opinião, um alerta claro para muitas escolas de negócios. A realidade dos mercados e das agendas corporativas é cada vez mais a noção e aceitação de que dificilmente haverá lucros no futuro sem se terem em conta todas as ações e iniciativas que protegem o Planeta e Pessoas. A famosa declaração de Milton Friedman de que “a única responsabilidade social das empresas é gerar lucro” é cada vez mais parte dos livros de História.
Isto significa que as Business Schools precisam de se adaptar e entender o que a sociedade espera atualmente dos futuros líderes. Creio que o propósito de qualquer escola de negócios deve ser a vontade de contribuir para uma sociedade onde só haja espaço para Empresas Responsáveis lideradas por Líderes Responsáveis. Por outras palavras, líderes que entendem que o propósito de qualquer empresa vai para além do Lucro. O lucro é absolutamente fundamental, mas o ensino nas Escolas de Negócio nunca pode ficar por aí.
Nuno Moreira da Cruz, Professor na CATÓLICA-LISBON