O panorama da economia e dos negócios globais encontra-se atualmente num estado de emergência de nível 10, resultado dos recentes desenvolvimentos do conflito do Médio Oriente. Após um longo período de reforço militar e ameaças de ataque por parte tanto do Irão como da frente dos Estados Unidos-Israel, as forças americanas executaram a operação Epic Fury no dia 27 de fevereiro. Esta ação resultou na morte do líder supremo do Irão no dia seguinte, gerando extrema instabilidade. Em retaliação, a Guarda Revolucionária Iraniana declarou um bloqueio marítimo total na região, encerrando o estreito de Ormuz e ameaçando bombardear qualquer embarcação que tentasse atravessar aquela zona. Este cenário é um risco para a estabilidade mundial, uma vez que o estreito de Ormuz é um ponto de passagem crucial para cerca de 25% do petróleo do mundo, o equivalente a 21 milhões de barris diários. Esta situação simboliza um golpe no abastecimento de energia global que, através da lei da oferta e da procura, fez disparar os preços do petróleo para valores acima dos 100 dólares por barril. Este padrão inflacionário não afeta apenas o preço do combustível, mas sim o preço de todos os bens, aumentando o índice de preços ao consumidor (IPC). Este cenário de volatilidade pode escalar rapidamente para uma crise económica global, reduzindo bastante o poder de compra dos consumidores e das empresas. Para a maioria das mesmas, a energia é um fator de produção fundamental em quase todas as etapas de produção e, por isso, este bloqueio cria um aumento generalizado dos custos operacionais e pode mesmo diminuir a capacidade de produção. 

Do ponto de vista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estes desenvolvimentos geram um impacto negativo profundo. À medida que um ambiente de violência substitui a diplomacia, o ODS 16 e as suas metas 16.1 e 16.A, sofrem um recuo devido à ausência de paz. Mais ainda, o ODS 7 e a meta 7.1 estão no centro do problema, já que no século XXI o petróleo torna-se facilmente uma arma de guerra devido à sua escassez e incessante procura. A inflação resultante atrasa também o crescimento económico sustentável previsto no ODS 8. 

Para navegar esta era de incerteza, as empresas devem adotar recomendações estratégicas para construir resiliência. É urgente acelerar a diversificação do abastecimento energético de modo a depender menos das remessas do Médio Oriente. É também necessário aumentar o investimento em energias renováveis, diminuindo o consumo de combustíveis fosseis para benefício individual e sustentável. Finalmente, devem envolver-se em diplomacia positiva, prestando serviços pro-bono a ONGs ou auxiliando a Cruz Vermelha com donativos ou perícia técnica.  

Em conclusão, um negócio resiliente não só ultrapassa financeiramente as consequências da guerra, como também contribui ativamente para um mundo capaz de cooperar e manter os ODS, mesmo em tempos de crise. 

 

Maria Teresa Silva Serrano Do Nascimento Fernandes, Student of the SDGs as Business Strategy Course - Master in Management