Os ambientes empresariais são cada vez mais caracterizados por mudanças rápidas, incerteza crescente e pressões cada vez maiores em matéria de sustentabilidade. As preferências evoluem, as pessoas adaptam-se e, mais importante ainda, as empresas têm de responder.

Num momento em que a sustentabilidade é cada vez mais questionada pelos consumidores, reformulada pelas empresas ou silenciosamente despriorizada pelos governos, é profundamente relevante quando a educação escolhe liderar em vez de se limitar a contribuir para o número de créditos ECTS.

No início deste ano, a unidade curricular SDGs as Business Strategy, lecionada pela Professora Filipa Pires de Almeida na Católica Lisbon School of Business & Economics, foi distinguida com o Prémio de Inovação Pedagógica da Universidade Católica Portuguesa 2025. Como antiga aluna desta disciplina, este reconhecimento parece-me não só mais do que merecido, mas também uma representação profunda do que significa verdadeiramente aprender.

Esta não foi uma disciplina sobre sustentabilidade enquanto ideal abstrato, nem sobre o simples preenchimento de caixas ESG. Foi uma disciplina sobre estratégia — aquela que é real e orientada por constrangimentos. Foi ali que pudemos compreender o que significa, de facto, integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos processos de tomada de decisão empresarial. Desde a primeira semana, não fomos colocados no papel de aprendentes passivos, mas de pensadores críticos. A nossa tarefa era clara: avaliar o trabalho de empresas reais, enfrentar trade-offs reais e desenhar estratégias alinhadas com os ODS capazes de resistir ao confronto com a realidade.

O modelo pedagógico combina rigor académico com aprendizagem experiencial. Através do enquadramento do SDG Compass+, trabalhámos progressivamente temas como materialidade, priorização, integração e medição de impacto. Apresentações semanais, feedback estruturado e iteração constante obrigaram-nos a afinar o pensamento, defender pressupostos e traduzir ambições de sustentabilidade em escolhas estratégicas concretas. Não havia espaço para narrativas genéricas — apenas para raciocínio fundamentado e baseado em evidência.

O que tornou a disciplina verdadeiramente distintiva, no entanto, foi a sua ligação ao mundo exterior. Desde líderes empresariais a profissionais e especialistas em sustentabilidade, vários convidados juntaram-se regularmente às aulas, trazendo casos reais, falhas e aprendizagens. Estas interações tornaram algo claro para todos os estudantes: integrar os ODS na estratégia empresarial não é uma questão de perfeição, mas de direção e liderança.

A disciplina destacou-se também pelo seu caráter interdisciplinar. Ao cruzar gestão, políticas públicas e desenvolvimento sustentável, ofereceu uma visão holística de como as empresas não só operam dentro de sistemas sociais mais amplos, como também os moldam. Para além

de competências técnicas, promoveu pensamento crítico, empatia, negociação e liderança responsável. Desafiou-nos não apenas a perguntar o que as empresas devem fazer, mas como e porquê o devem fazer.

Num contexto global marcado pela incerteza e por pressões de curto prazo, esta abordagem pedagógica não é apenas inovadora: é necessária!! O reconhecimento atribuído pela Universidade Católica Portuguesa reforça uma mensagem essencial: preparar futuros líderes para integrar a sustentabilidade na estratégia empresarial não é um “nice to have”. É um imperativo estratégico.

Para aqueles de nós que vivenciaram esta disciplina em primeira mão, o prémio valida algo que já sabíamos: que uma educação rigorosa, orientada para a prática e guiada por valores pode moldar a forma como os futuros líderes pensam, decidem e agem. E é aí, em última instância, que começa a mudança sustentável.

Tenham uma excelente e impactante semana!

 

Matilde MarquesIntern at the Center for Responsible Business & Leadership