Este ano, a sustentabilidade ganhou uma tonalidade mais ténue.

Nos EUA, o “verde” tornou-se sinónimo de polarização política. Na Europa, está frequentemente associado a excesso de regulamentação.

Na Índia, o tema parece estar “em ponto morto”, enquanto o país continua a questionar-se sobre quem financiará a transição energética do carvão para fontes renováveis.

Já na China, a sustentabilidade segue “a toda velocidade”, com o domínio global na produção de baterias e painéis fotovoltaicos — tecnologias que, por sua vez, levantam dúvidas sobre a pegada ambiental no final da sua vida útil.

Enquanto isso, os esforços diplomáticos e financeiros concentram-se nas guerras e crises geopolíticas, transformando-as na principal prioridade dos governos e dos media. É como se o planeta pudesse esperar calmamente por acordos de paz — como se os ecosistemas fossem acompanhar o “timing” dos egos políticos.

A questão impõe-se: estará o “verde” da sustentabilidade a desvanecer-se — condenado a tornar-se apenas mais uma história que ficou para a história?

Esperemos que não!

Hoje, nem os “eco-cépticos” conseguem negar que as alterações climáticas surgiram após a Revolução Industrial, impulsionadas pelo crescimento explosivo da população mundial.

As evidências acumulam-se: ecossistemas terrestres estão em risco de colapso e a vida marinha enfrenta uma ameaça iminente. Se os danos são reversíveis ou não, descobriremos nos próximos anos — num futuro cada vez mais próximo, que já bate à nossa porta.

Contudo, políticas de diversidade, siglas infindáveis e regulamentação “net zero”, têm frustrado as empresas, que continuam à procura das métricas e dos incentivos certos.

Ainda assim, o progresso é real: da agricultura regenerativa à economia azul, biotecnologia marinha (algas para a indústria alimentar, farmacêutica e cosmética), passando pela produção de energia limpa — há avanços sólidos em múltiplos setores.

E agora, uma nova ferramenta junta-se a nós: a Inteligência Artificial, com o potencial de acelerar a transição para novos modelos de negócio.

Mas precisamos de mais narrativas que demonstrem que o lucro não pode nem deve ficar de fora desta equação. A sustentabilidade e lucratividade não competem — multiplicam-se!

A verdade nua e crua é que não há sustentabilidade sem lucro e no futuro não haverá lucro sem sustentabilidade.

Porque no fim do dia, o “green” da sustentabilidade e o “green” do capital têm de ter a mesma cor — e não tonalidades diferentes.

E por isso surge uma última pergunta, talvez a mais importante de todas: até quando vamos continuar como meros espectadores, atribuindo culpas à inércia dos governos, apontando o dedo à falta de liderança e ao lobby de interesses financeiros?

O final do ano é sempre tempo de balanço, e talvez, desta vez, devamos refletir não apenas sobre o que aconteceu em 2025, mas quem escolhemos ser no futuro que começa agora.

Porque, em sustentabilidade — como em tudo o que realmente importa — ou somos parte do problema, ou somos parte da solução.

 

Filipe Rosa, NoGAP Ventures, CEO