Sou muitas coisas ao mesmo tempo: mãe de duas crianças, Leonardo e Sofia; filha; profissional numa organização global; e voluntária na Candeia (apoiamos crianças e jovens que passaram por situações de grande vulnerabilidade). Estes papéis não vivem em caixas separadas. Sobrepõem-se, influenciam-se mutuamente e moldam a forma como estou presente no trabalho, com a minha família e no mundo.

Em todos estes papéis, uma coisa torna-se muito clara: o cuidado importa. Não como um conceito ou um slogan, mas como uma experiência vivida no dia a dia.

Ao longo do meu percurso na EDP, uma das coisas de que mais me orgulho é da forma natural como estes mundos se têm cruzado. Tenho podido levar os meus filhos comigo para iniciativas de voluntariado, para que pudessem ver desde muito novos o que significam, na vida real, a solidariedade, a responsabilidade e o cuidado coletivo. Também fui à escola deles falar sobre energia, sustentabilidade e o futuro. Poder viver estes momentos, ser simultaneamente profissional e mãe, cidadã e colaboradora, é algo que valorizo profundamente. E poder fazê-lo através da minha empresa torna tudo ainda mais significativo.

Isto reforçou a minha convicção de que as organizações que perdurarão são aquelas que cuidam genuinamente das suas pessoas, não apenas do seu desempenho, mas das diferentes dimensões das suas vidas. Organizações que reconhecem momentos de pressão, transição e vulnerabilidade, e escolhem deliberadamente estar presentes nesses momentos, são as organizações do futuro.

A parentalidade é um dos momentos mais marcantes entre esses desafios. Tornar-se pai, mãe ou cuidador traz uma enorme alegria, mas também cansaço, incerteza e uma negociação constante entre a vida pessoal e profissional. Quando as organizações reconhecem esta realidade e oferecem apoio através de flexibilidade, políticas parentais inclusivas, liderança baseada na confiança e culturas respeitadoras, não estão a oferecer um privilégio. Estão a construir relações de longo prazo.

Na EDP, este cuidado torna-se real nos momentos em que as famílias mais precisam. Manifesta-se na forma como a parentalidade é apoiada, com soluções que podem variar de país para país, mas que partilham sempre a mesma intenção: aliviar a pressão num momento transformador da vida. Em algumas geografias, isso inclui licenças parentais alargadas para além das exigências legais ou apoio financeiro quando nasce uma criança, ajudando as famílias a ganhar tempo, estabilidade e tranquilidade quando tudo é novo. De forma mais ampla, sente-se através de benefícios flexíveis e de formas de trabalho que se podem adaptar à medida que a vida evolui. Em conjunto, estas experiências transmitem uma mensagem poderosa: o cuidado não é episódico; cresce connosco e permanece presente quando mais importa.

É isto que muitos descrevem como salário emocional. E o salário emocional cria algo poderoso: reciprocidade. Quando sei que a minha organização está presente para mim — quando os meus filhos precisam de mim, quando a vida familiar se intensifica, quando o equilíbrio parece frágil — eu também estou presente quando a organização precisa de compromisso, energia e responsabilidade. A lealdade nasce da confiança, não da obrigação.

Esta abordagem não diz respeito apenas aos pais. Quando desenhamos locais de trabalho humanos, flexíveis, inclusivos e respeitadores, todos beneficiam. Estes ambientes promovem o envolvimento, a resiliência e um verdadeiro sentimento de pertença.

A maternidade, aprendi eu, é para toda a vida, não apenas enquanto os filhos são pequenos. Algo muda permanentemente: um cuidado constante, uma preocupação contínua e um compromisso silencioso de dar aos nossos filhos as ferramentas para se tornarem indivíduos autónomos e conscientes, sabendo que, independentemente das escolhas que façam ou dos caminhos que sigam, estaremos sempre aqui para eles.

Neste Dia da Mãe, a minha reflexão é simples: cuidar da vida das pessoas não é apenas uma questão de gentileza. É uma questão de sustentabilidade. As organizações que verdadeiramente compreendem o cuidado não são apenas melhores lugares para trabalhar — são organizações construídas para durar.

Desejo-vos uma excelente e impactante semana!

Carla Barros, Especialista em Bem-Estar e People & Organizational (P&O) na ED