Esta semana que passou, a Católica-Lisbon SBE acolheu a Lisbon Sustainability Week 2026, reunindo líderes empresariais, decisores políticos, académicos e profissionais durante três dias de diálogo em torno de uma questão central: “Será que a sustentabilidade deve ser encarada como um motor de competitividade, resiliência e criação de valor?”
O primeiro dia lançou a discussão ao explorar de que forma a liderança responsável, a inovação e a estratégia focada em sustentabilidade podem ajudar as organizações a navegar um mundo cada vez mais complexo. Através de oradores de renome internacional, partilhas de executivos e apresentações de business cases concretos, os participantes refletiram sobre o papel crescente das empresas na resposta aos desafios globais, reforçando simultaneamente a sua competitividade. John Elkington destacou que estamos a entrar numa nova era da sustentabilidade - uma transição da "soft sustainability" para a "hard sustainability" - em que a sustentabilidade deixa de ser um tema periférico para passar a estar integrada em todas as operações da empresa. Esta mudança foi ilustrada por exemplos concretos da IKEA, Mota-Engil e Siemens, demonstrando como a sustentabilidade impulsiona o core do negócio, através de novos modelos de negócio, operações e inovação.
O Center for Responsible Business & Leadership apresentou ainda o teaser do seu documentário internacional, “When the Spotlight Fades”, realizado por Wim Vermeulen, que explora o que acontece quando a sustentabilidade parece ser "silenciada”, enquanto uma maioria silenciosa acredita na sua importância, mas necessita de maior evidência, liderança mais forte e maior capacitação para transformar convicções em ação. O dia terminou com a ECGI Wallenberg Lecture, proferida pelo Prémio Nobel da Economia Robert Engle, que sublinhou que, num contexto de crescente volatilidade, as organizações que compreendem, medem e integram os riscos climáticos e de sustentabilidade nos seus processos de decisão estão melhor preparadas para criar valor. Em última análise, o risco de sustentabilidade é risco financeiro.
Dando continuidade a estas reflexões, o segundo dia foi marcado por um conjunto de sessões paralelas focadas em transformar estratégia em ação, apresentando alguns dos mais recentes projetos de investigação do Centro for Responsible Business and Leadership da Católica-Lisbon SBE. Em conjunto, estas sessões exploraram de que forma uma melhor medição, a inovação baseada em business cases concretos e a antecipação estratégica do futuro podem ajudar as organizações a preparar-se para um futuro incerto, criando simultaneamente valor para as empresas, a sociedade e o ambiente.
A 2.ª Conferência sobre Impact Accounting, desenvolvida em parceria com a PwC Portugal, reuniu académicos, líderes empresariais e especialistas internacionais para discutir o crescente papel da contabilidade de impacto na tomada de decisão empresarial. A apresentação da mais recente research note do Center for Responsible Business and Leadership: Complementary, not Interchangeable: Impact Accounting and Financial Reporting, juntamente com a discussão do trabalho realizado pela Value Balancing Alliance, nomeadamente no seu mais recente Playbook, reforçou uma conclusão central: o Impact Accounting não substitui o reporte financeiro, mas constitui uma ferramenta complementar de gestão que permite integrar a sustentabilidade nas decisões estratégicas, na alocação de capital e na criação de valor de longo prazo.
A sessão Business Case for the Blue Economy, desenvolvida em parceria com o Fórum Oceano, demonstrou como os desafios da economia azul em Portugal podem ser transformados em oportunidades concretas de negócio. Ao apresentar 25 casos de negócio e 123 exemplos práticos, o estudo mostra como as empresas podem integrar os desafios relacionados com o oceano nas suas estratégias, contribuindo simultaneamente para o ODS 14 e para o cumprimento das European Sustainability Reporting Standards (ESRS). A discussão destacou ainda a importância da colaboração entre startups, investidores, plataformas de inovação e empresas estabelecidas para acelerar a inovação e desbloquear novas oportunidades de crescimento sustentável.
Por fim, a sessão SDG Meetings: Future and Trends desafiou os participantes a olhar para além dos desafios atuais e a preparar-se para múltiplos futuros possíveis. Após a apresentação do segundo ciclo do Observatório dos ODS nas Empresas Portuguesas, especialistas analisaram as megatendências que estão a transformar o contexto empresarial, antes de os participantes se envolverem num exercício colaborativo de foresight. Em todos os cenários explorados, emergiu uma conclusão consistente: as organizações que investirem hoje em novas competências, capacidades de gestão de dados, antecipação estratégica, adaptabilidade e boa governação estarão significativamente mais bem posicionadas para prosperar num mundo cada vez mais incerto.
Ao longo destes dois dias, uma mensagem consistente esteve presente em todos os keynote speeches, debates e workshops: a sustentabilidade é uma capacidade estratégica que permite às organizações antecipar a mudança, reforçar a sua resiliência e criar valor duradouro. Ao reunir investigação rigorosa, casos de negócio concretos e um diálogo aberto entre academia, empresas e instituições públicas, este evento refletiu uma das principais missões do Center for Responsible Business and Leadership: potenciar o poder da colaboração para construir um futuro mais competitivo, resiliente e sustentável.