O futuro chega sempre mais depressa do que imaginamos. Um dia estamos a aprender a conduzir, no outro já há carros que se conduzem sozinhos, um dia estamos a falar com um amigo, no outro estamos a falar com uma inteligência artificial que sabe mais sobre nós do que a nossa família. E se isto parece saído de um filme, é porque… bem, estamos a viver dentro de um.
Num mundo que muda à velocidade de um scroll, a grande pergunta é: como é que nos preparamos para tudo o que aí vem? A resposta não é ter todas as respostas, a resposta é aprender a aprender. É ganhar a capacidade de se adaptar, de fazer perguntas melhores, de olhar para problemas enormes e pensar: “ok, vamos lá ver como é que resolvemos isto.”
E aqui entra a educação – não aquela que se limita a encher a cabeça de factos e datas, mas a que nos ensina a pensar de forma crítica, a criar, a trabalhar com pessoas diferentes e a ter coragem para tomar decisões difíceis.
Nos próximos anos, vamos enfrentar desafios sérios: desde um mundo menos cooperativo e mais imprevisível, até a tecnologias que podem mudar tudo – para melhor ou para pior. A Inteligência Artificial, por exemplo, pode ajudar a curar doenças, combater as alterações climáticas e tornar as cidades mais inteligentes… ou pode espalhar desinformação e aprofundar desigualdades e, no limite, conduzir à própria extinção da raça humana. Depende de como a usarmos.
O mesmo vale para a política e a sociedade. Podemos viver fechados nas nossas bolhas ou aprender a ouvir, negociar e construir pontes. Podemos aceitar a divisão como inevitável ou trabalhar para criar espaços de entendimento.
E a boa notícia? Nunca foi tão fácil aprender. Há cursos, podcasts, vídeos, comunidades e mentores por todo o lado. O difícil é escolher bem e não se perder no ruído, e é aqui que entra a curiosidade: a capacidade de não ficar parado à espera, mas ir atrás do que queremos saber.
Se há algo que a história nos mostra é que as crises não são o fim. São o momento em que as pessoas mais criativas, mais curiosas e mais determinadas encontram novas formas de fazer as coisas. E isso pode ser qualquer um de nós – desde que estejamos dispostos a continuar a aprender, sempre. Porque o mundo de amanhã vai ser construído por quem não tem medo de mudar – e por quem sabe que aprender é a maior superpotência que existe.
Nuno Moreira da Cruz, Dean for Executive Education na Católica Lisbon School of Business & Economics.