Ainda antes de o conceito de “crise da habitação” ter ganhado dimensão na sociedade portuguesa, procurar casa entre os estudantes era há muito uma fonte de preocupação. E apesar de o atual contexto continuar ainda muito marcado pela dificuldade no acesso ao mercado habitacional, soluções como a Inlife Housing oferecem alternativas que visam tornar mais fácil o processo que, tantas vezes, mais se assemelha a uma missão (quase) impossível.
No episódio de hoje do podcast “Negócios com Impacto”, da Rádio Renascença em parceria com a CATÓLICA-LISBON, ficámos a conhecer mais um projeto inovador e que visa simplificar de forma segura e transparente o arrendamento imobiliário.
Pedro Gancho, fundador e CEO da Inlife, frequentava o MSc em Business Administration, Strategy and Entrepreneurship na CATÓLICA-LISBON, quando tomou contacto com as dificuldades que os estudantes, nomeadamente os internacionais, se debatiam no momento de encontrar casa para viver durante o curso. Criou o “Housing Trip”, um projeto que promovia deslocações de carro para facilitar a realização de visitas a casas no mercado. Mas rapidamente, em face da identificação de dificuldades decorrentes do próprio mercado da habitação, procurou transformá-las em oportunidades. Nascia assim a Inlife Housing em 2015.
“Com a criação da Inlife, procurei mudar a forma como uma qualquer pessoa poderia avançar com o arrendamento de médio e longo prazo de uma casa numa nova cidade, apostando no digital de modo a providenciar uma experiência o mais simples possível para o utilizador, nomeadamente através da facilitação do modelo de visitas via digital e de videochamadas entre quem procura um quarto ou casa e quem tem um imóvel para arrendar”, explica Pedro Gancho.
A simplificação começa desde logo com o próprio processo de registo e de utilização da plataforma da Inlife. Uma vez feito o registo, em poucos minutos, o utilizador passa a poder publicar no site os anúncios de forma gratuita relativos aos espaços que tem para arrendar. Depois é apenas dar resposta aos pedidos de reserva que surjam. As visitas podem ser presenciais ou à distância por via de videochamada feita em tempo real, poupando assim tempo, e sempre com o acompanhamento de um membro da equipa Inlife.
“Atualmente, os clientes já não são só estudantes, crescemos muito e hoje quem nos procura são imigrantes, expatriados, nómadas digitais, pessoas que vão viver para uma nova cidade. Temos cerca de 55% estudantes, 45% outras pessoas ou profissionais”, conta. Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Évora são as cidades portuguesas onde a Inlife opera, a que se juntam Madrid e Barcelona (em Espanha) e Roma e Milão (em Itália), dispondo de uma oferta de 20 mil alojamentos composta por quartos privados, residências, estúdios e apartamentos completos. Se para os inquilinos existe a regra de terem uma estadia de, no mínimo, um mês, os senhorios precisam de ter a casa mobilada e em boas condições de habitabilidade para os receber.
De forma a facilitar na hora de escolher por esta ou aquela localização, a plataforma disponibiliza igualmente todas as informações necessárias relativamente ao espaço e ao bairro onde o mesmo se insere — tanto em termos de transportes como no que toca a outros pontos de interesse - supermercados, farmácias ou, entre outros, mercados.
Adicionalmente, a Inlife dispõe de diversas funcionalidades que visam acautelar a segurança de todos os utilizadores, sejam inquilinos ou senhorios, retendo, por exemplo, a verba acordada referente à primeira renda durante 24 horas para que o inquilino possa confirmar que as condições de habitabilidade do espaço tal como lhe foi mostrado.
Quanto aos objetivos para a empresa, Pedro Gancho prefere não se focar para além de um horizonte a três anos, sob pena de recair no campo da abstração, afirma, por isso, que “nos próximos tempos, pretende automatizar ou resolver algumas questões que têm os gestores de propriedades”, onde ainda há processos muito manuais, pouco automatizados. “A Inlife pode ajudar e desta forma expandir o seu posicionamento ou quase criando um segmento de negócio novo”, sublinha.