A economia pode não ter crescido tanto quanto o esperado pelo Governo em 2021 e arrisca-se a desacelerar em 2022, em vez de acelerar como se previa no OE2022, segundo as previsões da Católica.

Os economistas da Católica antecipam que o PIB tenha crescido entre 3,6% e 4,7% em 2021, com o ponto central da previsão nos 4,3%, o que representa uma revisão em alta face à última previsão de outubro de 2021. Ou seja, na melhor das hipóteses ficará a uma décima do objetivo (4,8%) do Governo. O valor oficial será divulgado na estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) a 31 de janeiro, um dia após as eleições legislativas antecipadas.

Sobre o quarto trimestre de 2021, o Católica Lisbon Forecasting Lab estima um crescimento do PIB de 0,5% em cadeia (face ao terceiro trimestre) e de 4,4% em termos homólogos (face ao quarto trimestre de 2020). Contudo, os economistas alertam para “algumas dificuldades adicionais” que existiram neste exercício de previsão.

É o caso da “evolução errática dos indicadores de alta frequência em dezembro”, do “elevado contributo dos deflatores externos para o crescimento do terceiro trimestre do mesmo ano” e da “imposição de novas restrições às economias europeias e portuguesa, em particular, desde dezembro”.

 

Consoante uma versão mais otimista ou pessimista desses indicadores, o PIB português poderá estar a operar a 94,8% ou a 98,7% do nível de atividade económica registada no quarto trimestre de 2019, o último sem o efeito da pandemia. Ou seja, o PIB encontra-se a uma distância de 5,2 pontos percentuais ou 1,3 pontos percentuais de recuperar totalmente da crise pandémica.

Relativamente à economia da Zona Euro, a Católica prevê um crescimento do PIB de 0,3% em cadeia e de 4,5% em termos homólogos, situando-se numa média anual de 5,1%, acima do esperado para a economia portuguesa. “A diferença face a Portugal corresponde a um regresso relativamente mais rápido aos níveis pré-pandémicos, fruto de uma menor dependência, em média, relativamente à fileira do turismo“, explicam os economistas.

Esse “relativo atraso” na recuperação económica reflete-se também na evolução da taxa de inflação em Portugal (1,3%), a qual foi metade da registada na Zona Euro (2,6%) em 2021.

PIB português pode desacelerar em vez de acelerar em 2022

O quadro macroeconómico menos otimista pintado pela Católica, em comparação com o do Governo no Orçamento do Estado para 2022, também se reflete nos números para o ano que agora começa. O cenário central da previsão é um crescimento do PIB de 4,3% em 2022, o que fica significativamente abaixo dos 5,5% estimados pelo Governo e os 5,8% previstos pelo Banco de Portugal, além de representarem uma desaceleração face ao crescimento de 2021. E ficaria ligeiramente acima do crescimento previsto para a Zona Euro (4,2%).

Porém, a Católica Lisbon Forecasting Lab admite que “esta previsão tem uma incerteza considerável já que depende da (sempre adiada) normalização da vida social e económica a partir da primavera e da manutenção de apoios à economia nos setores mais vulneráveis”. Acresce a incerteza adicional no curto prazo do resultado das eleições e a execução do Orçamento em duodécimos “durante uma grande parte do ano”.

 

“Os efeitos negativos das políticas sanitárias na atividade económica do hemisfério norte devem reduzir-se significativamente a partir da primavera“, explicam os economistas, indicando que “é expectável o regresso ao nível de atividade anterior à pandemia ao longo de 2022, embora com uma composição setorial diferente e um pouco mais tarde em Portugal“.

Inflação e política monetária condicionam desenvolvimentos em 2023 e 2024

Olhando a médio prazo, a incerteza mantém-se, mas deixa de ser pelo fator pandemia e passa a ser mais pelo fator inflação e mudança da política monetária.

A Católica “pressupõe um crescimento próximo de um potencial relativamente baixo, mas beneficiando, ainda, de um efeito base favorável em 2023, por via de um arranque de ano pautado por novas medidas de contenção”. A expectativa é que o PIB cresça 3,1% em 2023 e 2% em 2024.

Os riscos para a economia portuguesa estão ainda relacionados com a evolução dos preços da energia e da inflação, que começaram a atingir valores muito elevados ao longo do segundo semestre de 2021″, explicam os economistas, acrescentando que “no caso da zona euro, onde os riscos inflacionistas são menores face aos Estados Unidos, a redução dos apoios monetários e a subida das taxas de juro poderá começar a ser visível ao longo deste ano”.

Se a subida dos custos tiver um efeito inibidor na atividade económica, tal poderá levar a uma revisão em baixa do crescimento económico português. A Católica avisa ainda que a “operação de normalização” da política monetária, principalmente nos EUA, comporta um “duplo risco económico e financeiro” no caso de Portugal por ter um “elevado grau de endividamento” público e privado.

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