Como comemos o que comemos. Um retrato do consumo de refeições em Portugal. Fundação Francisco Manuel dos Santos. ISBN: 978–989–9118–07–2.
Como comemos of que comemos. Resumos da Fundação Francisco Manuel dos Santos. ISBN: 978–989–9118–14–0.
Trivial e simultaneamente complexa, a refeição é a instituição cultural que regula toda a nossa alimentação assim como as decisões e comportamentos que lhe estão associados. Mas o que sabemos realmente sobre os hábitos de preparação e consumo de refeições na atualidade? E sobre a forma como estes se relacionam com o nosso estatuto socioeconómico e têm impacto na nossa saúde e bem-estar?
O estudo intitulado ‘Como comemos o que comemos: um retrato do consumo de refeições em Portugal no século XXI’ analisou os padrões de consumo de refeições dos portugueses e a sua evolução nas últimas duas décadas sob diferentes perspetivas, com o objetivo de dar resposta a estas questões.
Este projeto foi realizado por uma equipa multidisciplinar de investigadores da Universidade Católica Portuguesa (CATÓLICA-LISBON School of Business & Economics) e da Universidade do Porto (Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação e Instituto de Saúde Pública) para a Fundação Francisco Manuel dos Santos entre 2020 e 2023.
Adotou-se uma abordagem socio-ecológica para estudar os comportamentos de consumo alimentar dos portugueses, através da análise de múltiplos conjuntos de dados, primários e secundários, relativos ao planeamento, confeção/aquisição e consumo de refeições pela população portuguesa, e à evolução destas práticas entre 2000 e 2020. Os resultados foram ainda comparados com os obtidos noutros países ocidentais no mesmo período - nomeadamente Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos - de modo a poderem ser interpretados numa perspetiva internacional.
Em Portugal, as mulheres passam, em média, mais 18 minutos por dia a preparar as refeições domésticas do que os homens, realizando mais 12,6 horas de trabalho não remunerado por semana do que eles.
A preparação das refeições em casa é determinada por normas pessoais, grau de competência culinária, autoeficácia e prazer.
Os padrões de consumo de refeições são largamente determinados pela situação profissional, com 42% da população a comer fora ao almoço, mas apenas 13% ao jantar.
Praticamente metade do tempo de lazer é dedicado ao consumo de refeições, cerca de 2 horas por dia.
Quase 75 por cento das refeições são consumidas em casa, mas apenas 33 por cento são efetivamente cozinhadas em casa.
Os agregados com menor rendimento são mais propensos a comer refeições cozinhadas em casa por familiares ou amigos, enquanto os que têm rendimentos mais elevados tendem a comer mais fora ou a recorrer mais a serviços de takeaway.
O consumo alimentar fora de casa representa mais de 10 por cento da despesa das famílias portuguesas, sendo bastante superior à média da UE de 7 por cento.
O consumo de alimentos confecionados fora de casa está associado a dietas menos saudáveis e ao sedentarismo, mas não à obesidade ou a doenças crónicas.
Como comemos o que comemos. Um retrato do consumo de refeições em Portugal. Fundação Francisco Manuel dos Santos. ISBN: 978–989–9118–07–2.
Como comemos of que comemos. Resumos da Fundação Francisco Manuel dos Santos. ISBN: 978–989–9118–14–0.
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