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Para o conjunto do ano os economistas da Católica apontam para um crescimento homólogo de 5,2%, uma revisão em alta. A inflação poderá trepar até aos 7,5%.

Depois de um arranque do ano acima de todas as expectativas, a economia portuguesa deve contrair 0,8% no segundo trimestre, em cadeia, de acordo com as mais recentes estimativas do núcleo de estudos económicos da Universidade Católica (NECEP). "A variação em cadeia do PIB no segundo trimestre poderá ser negativa, previsivelmente de -0,8%", indicam os economistas, de "modo a compensar o crescimento anormalmente elevado de 2,6% observado no primeiro trimestre do ano", justificam.


Para o conjunto do ano, a Católica aponta agora para um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 5,2%, uma revisão em alta face aos anteriores 4% e em linha com a média das previsões das principais instituições oficiais que publicam projeções para a economia portuguesa e acima dos 4,9% do Governo. A explicar este perfil, os economistas da universidade apontam a base favorável de 2021, quando o PIB expandiu 4,9%.

Face ao período pré-pandemia – com referência ao quarto trimestre de 2019 –, "no segundo trimestre do ano, a economia portuguesa poderá ter operado a 100,3% do nível" da fase anterior à covid-19. E ainda com os efeitos da pandemia e os impactos da guerra na Ucrânia, a Católica acredita que ultrapassar esses níveis [pré-pandemia] será, agora, "bastante difícil e exigente a curto e médio prazo".
 

Quanto à inflação, os economistas apontam para uma variação homóloga anual de 7,5%, muito mais pessimistas do que a mais pessimista das recentes previsões e que não vão além de 6,3% (OCDE). Para 2023, a inflação ainda estará em níveis elevados na ordem dos 5%, convergindo para os 2,5% previstos para a Zona Euro em 2024.
 

Contrações e acelerações? Não vale a pena classificar
 

As fortes variações do produto ao longo dos últimos três anos, primeiro com a pandemia e agora com a guerra, não permitem, no entender da Católica, fazer interpretações sobre a evolução económica como até agora.
 

"A economia portuguesa deverá registar oscilações significativas nos próximos meses, que não deverão ser interpretadas como contrações ou acelerações do crescimento, mas antes como movimentos de ajustamento próprios desta fase pós-pandémica", alertam os economistas, que apontam para variações muito "influenciadas por efeitos de base anormais".


Para os próximos meses, a Católica admite um cenário de estagnação económica combinada com uma inflação elevada, sem referir a estagflação. É um panorama que torna a elaboração do Orçamento do Estado para 2023 "bastante complexa, já que poderá coexistir com um cenário macroeconómico de crescimento muito modesto".


A este cenário o NECEP acrescenta "o risco de aumento severo do custo do serviço da dívida pública, decorrente da subida, não apenas das taxas de juro diretoras do BCE, mas também dos spreads face à Alemanha".

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