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A importância da internacionalização das Business Schools para Portugal

Segunda, Julho 16, 2018 - 12:02
Publicação
Cadernos Economia

Vivemos atualmente uma forte competição pela atração e retenção do conhecimento e talento universitário. Este processo, que é mundial, está a decorrer a um ritmo acelerado e terá um forte impacto na capacidade de crescimento e desenvolvimento dos diversos países e regiões. E Portugal tem condições para ficar relativamente bem posicionado nesta competição.  A aposta no sector da educação, nomeadamente no ensino superior nas áreas da economia e da gestão, revela-se uma oportunidade única para o país crescer nas cadeias de valor e gerar crescimento sustentado. Este é um caminho que não depende de uma dimensão crítica ou da localização geográfica, mas antes do talento, da capacidade de atrair, reter e desenvolver capital humano e capacidade de inovar. 

As instituições de ensino superior podem e devem ter um papel crucial no aumento da competitividade da economia portuguesa. Para além dos óbvios benefícios que resultam da formação e capacitação de recursos humanos que irão, através das competências e saberes adquiridos, contribuir para o aumento da competitividade das empresas, existem duas outras áreas centrais onde o ensino superior tem um papel essencial a desempenhar em ordem à melhoria da competitividade da nossa economia: a transferência de conhecimento e a internacionalização.

Esta oportunidade é inicialmente criada com o processo de Bolonha, que criou regras uniformes no espaço europeu, permitindo assim aumentar a mobilidade dos alunos entre instituições. Em particular, passou a ser muito fácil completar a licenciatura num país e frequentar, depois, o mestrado numa outra instituição, noutro país. Com o processo de Bolonha, a Europa criou um espaço comum europeu no ensino universitário, de forma a permitir o desenvolvimento de universidades europeias capazes de alcançar uma reputação e notoriedade mais próximas das grandes universidades americanas como Harvard, MIT, Chicago ou Stanford.

Esta mobilidade, permitida após Bolonha, tem tido vários impactos positivos, um dos quais é oferecer uma maior visibilidade internacional às escolas de topo, que passam a ser capazes de atrair não apenas os melhores alunos do seu país, mas de toda a Europa. Com os ganhos de notoriedade e reputação associados, progressivamente passam a atrair os melhores alunos de todo o mundo. O mesmo se passa em termos de professores: as universidades tornam-se internacionais e procuram recrutar os melhores professores, independentemente da sua nacionalidade. Há, de facto, uma forte competição para atrair o melhor talento, em termos de professores e de alunos, para que a universidade se torne um pólo de conhecimento reconhecido mundialmente.

A adaptação das Escolas de Negócios portuguesas 

Nesta competição internacional, Portugal tem feito um caminho notável. Na área da gestão e economia, em particular, com a ajuda da grande visibilidade dos rankings do Financial Times, estes efeitos têm sido especialmente rápidos e com resultados para Portugal muito positivos. Neste momento, temos duas faculdades entre as 25 melhores europeias, quando a Alemanha só tem também duas escolas, a Itália tem apenas uma e toda a Escandinávia não tem nenhuma. É um resultado notável para a dimensão e o padrão de desenvolvimento do nosso país.

No caso da CATÓLICA-LISBON por exemplo, contribuem para este resultado um focus muito claro no serviço que prestamos à sociedade e na criação de valor, como principal fator de melhoria, inovação e desenvolvimento. Estamos muito centrados no “mercado” - empresas, alumni, recrutadores, alunos e candidatos -  já que as escolas podem criar os mecanismos de evolução que permitem criar valor para todos os parceiros envolvidos e dar resposta às necessidades de uma sociedade em constante mudança. Perseguimos uma busca crescente de excelência e consistência, com avaliação sistemática das atividades do dia a dia: nos critérios de recrutamento e progressão de docentes, na qualidade da experiência em sala de aula, na prioridade à investigação e criação de conhecimento, na admissão e colocação dos alunos, na relação com empresas, recrutadores e alumni. A criação de valor está muito dependente da atenção ao detalhe na fase de implementação e não apenas da fase conceptual de formulação estratégica.

Hoje, mais de 50% dos nossos alunos são internacionais. É o que sucede também na formação de executivos, em que temos um conjunto de parcerias com várias escolas internacionais de referência, programas com empresas internacionais, programas com grupos portugueses internacionalizados, envolvendo quadros portugueses e estrangeiros, que decorrem em Portugal ou fora de Portugal. E programas de inscrição aberta destinados a executivos internacionais.

Segurança, clima, beleza e História…, mas nem tudo são rosas

Portugal é, como sabemos, um país que reúne condições de exceção, designadamente em termos de segurança, clima, beleza natural, património histórico e baixo custo de vida. Se somarmos a este atrativo a existência de escolas portuguesas em posições de destaque nos ‘rankings’ internacionais, o resultado natural é uma assinalável procura do nosso país por parte de capital humano com elevado poder de compra. A retenção destes futuros profissionais é também um fator de atração de investimento estrangeiro.

Existem alguns fatores de sucesso neste processo de internacionalização do ensino superior. Alguns destes são comuns a muitas outras empresas portuguesas, que trilham os caminhos da internacionalização. É de facto, um caminho cheio de oportunidades, mas também tem apresenta alguns desafios, nomeadamente no processo de entrada no nosso país. Receber alunos e professores internacionais, de fora do espaço europeu, continua a ser um processo demasiado complicado, com inúmeras dificuldades na obtenção de vistos, por exemplo. Por outro lado, precisamos de capacitar os nossos serviços públicos para o atendimento a estrangeiros em inglês, já que em muitos destes serviços ainda há dificuldades em comunicar noutra língua que não seja o português. Por último, tanto o governo como as instituições públicas, não devem ter uma perspetiva igualitária de one-size fits all. Hoje em dia, várias dimensões de politicas públicas não têm em conta a meritocracia, nem a qualidade das instituições. A realidade, é que nem todas as instituições de ensino superior estão igualmente prontas para os desafios internacionais. Quando, em qualquer iniciativa, se tenta nivelar pelo médio ou por baixo, estamos implicitamente a prejudicar aqueles que se destacam pela positiva.

Tempo perfeito para a Marca Portugal na Educação

Para além do já referido “choque” criado pela reforma de Bolonha, teremos brevemente o Brexit. O Reino Unido é um dos principais polos de ensino superior da Europa. Com a sua saída da União Europeia, deveremos assistir a uma menor atratividade deste país aquando da candidatura de estudantes internacionais, e em resumo, um êxodo de capital humano do Reino Unido. Isto pode trazer vantagens enormes para Portugal, se conseguirmos atrair estes estudantes.

Por isso, se conseguirmos associar, padrões de excelência internacional à qualidade ímpar das nossas condições naturais, o ensino superior pode representar um importante motor de desenvolvimento estrutural do nosso país.

Este aumento da mobilidade internacional de alunos, professores e recursos, vai ter um enorme impacto estratégico na capacidade de desenvolvimento de países e regiões. Imaginemos qual é o impacto, de termos, daqui a 10 anos, alguns dos principais decisores empresariais em multinacionais alemãs ou holandesas, muitos estrangeiros, formados em Portugal? Parece óbvio o interesse económico futuro para o país, e quão estratégico é este sector.

Nuno Fernandes, Dean da CATÓLICA-LISBON. 

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