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Diferentes modelos de inovação e os desafios de Portugal

Monday, February 19, 2018 - 15:01
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Atualmente fala-se muito dos desafios da inovação em Portugal e liga-se esses desafios ao tema do empreendedorismo.

De facto, a aceleração do desenvolvimento tecnológico cruzada com as mudanças nas tendências dos consumidores levam a oportunidades de mercado que são aproveitadas por empreendedores ágeis e ligados ao terreno, os quais, com o seu sucesso e crescimento, conduzem a uma renovação do tecido empresarial.

Nunca na história foi tão promissor ser empreendedor! O aprofundamento dos mecanismos de mercado, o desenvolvimentos das tecnologias de comunicação e a crescente disponibilização de financiamento ao empreendedorismo, desde o crowdfunding aos business angels e capital de risco, leva a que seja cada vez mais atrativo ser-se empreendedor, pois pode-se focar as atenções num nicho de mercado em que se desenvolve vantagens únicas, fazendo o outsourcing de todas as outras áreas da empresa a um custo muito baixo e conseguindo através do marketing e das redes sociais chegar a clientes em todo o mundo. E em Portugal criaram-se na última década as bases de um dinâmico ecossistema de inovação e empreendedorismo tecnológico.

No entanto, um país ganhar o desafio da inovação não é simplesmente criar mais empresas ou mesmo desenvolver um setor dinâmico de empreendedorismo. Um país ganhar o desafio da inovação requer um esforço em abraçar transversalmente, pelos cidadãos e pelas organizações, uma lógica inovadora na resolução dos seus problemas. Importa assim perceber que modelos de inovação são importantes neste desafio, para além das tradicionais start-ups tecnológicas de que hoje tanto se fala:

– Inovação empresarial: a inovação empresarial na Europa acontece mais pela renovação das organizações estabelecidas do que pela sua disrupção por novas empresas. É assim fundamental que as abordagens e ferramentas da inovação – criatividade, design thinking e o repensar de modelos de negócio – seja incorporada nas práticas e estratégias empresariais. Em Portugal, entidades transversais, como a COTEC, estão cada vez mais centradas nos desafios da inovação empresarial e as grandes empresas aprofundam estas dinâmicas através de concursos de inovação, programas de aceleração, colaboração com unidades de I&D, e formação aplicada em inovação.

– Inovação social: A inovação mais poderosa é focada na resolução de problemas concretos das pessoas, organizações e sociedades. No entanto, a procura do lucro pelos empreendedores pode fazer esquecer os problemas mais complexos ou aqueles que afetam camadas desfavorecidas da população. Abordar estes problemas tem um enorme potencial de impacto no bem-estar das populações e na promoção da igualdade e inclusão. É assim importante dinamizar a inovação social, através da qual se desenvolvem novas soluções para problemas da sociedade. Atualmente Portugal é um dos poucos países com uma política ativa de inovação social, corporizada na iniciativa Portugal Inovação Social.

– Inovação no setor público: Dado o elevado peso do Estado na economia em toda a Europa é fundamental que a dinâmica de inovação se estenda à administração pública – ao modo como esta funciona e à forma como as políticas públicas são desenhadas e repensadas. Isto tem que ser feito sem dogmatismos, focando naquilo que demonstra resultados no aumento da eficiência e bem-estar. Atualmente, Portugal é um dos poucos países com um Laboratório de Inovação em Políticas Públicas – LabX, e um ministério focado no tema da modernização administrativa que promove programas transversais de simplificação e inovação como o Simplex+.

– Inovação aberta: A inovação não acontece apenas em contextos organizacionais mas muitas através de plataformas abertas de partilha e envolvimento dos cidadãos enquanto utilizadores e criadores de inovações em áreas como as práticas de saúde (Patient Innovation), o financiamento (Crowdfunding), o conhecimento (Wikipedia), a inspiração (TED), o transporte (BlaBlaCar) entre muitos outros. Estes modelos permitem o aproveitamento eficiente dos recursos da sociedade, sejam eles físicos (quartos ou lugares de carro vazios), financeiros (poupanças) ou de conhecimento (experiências, ideias e energia das pessoas). Muitos destes modelos de inovação aberta já chegaram a Portugal e alguns deles, como o Patient Innovation, foram gerados em Portugal para o mundo.

– Inovação urbana: Mais do que ao nível dos países ou regiões, a inovação está crescentemente a acontecer ao nível das comunidades e cidades, onde cada vez mais se concentram as pessoas, as infraestruturas e o conhecimento. Esta aglomeração cria novos desafios e oportunidades em torno dos temas da mobilidade, energia, conhecimento e sustentabilidade, e traz uma responsabilidade e papel acrescidos às autoridades e governos locais. Em Portugal, cidades grandes (como Lisboa), médias (como Cascais), e pequenas (como o Fundão) já abraçaram este desafio e têm desenvolvido políticas ativas de inovação urbana.

O Século XXI é sem dúvida o Século da inovação, mas esta tem de ser entendida num sentido muito mais lato daquele que é normalmente discutido. A inovação, nos seus diferentes modelos, deve ser desenvolvida como processo e prática transversal à Sociedade. Portugal, pelos esforços desenvolvidos na última década, está no bom caminho.

A Católica-Lisbon School of Business & Economics, onde sou professor, desenvolveu nos últimos anos centros de competência de nível mundial nestes temas de inovação. Exemplos são o Projeto Patient Innovation, o Smart Cities Innovation Lab, a Cátedra em Empreendedorismo Social e o recente Center for Technological Innovation & Entrepreneurship. Estas competências de investigação cruzam-se e são aplicadas nos diferentes programas da Escola, em particular no PAEGI – Programa Avançado de Empreendedorismo e Gestão da Inovação – um programa de formação executiva anual que decorre de março a junho para capacitar os participantes com as mais avançadas ferramentas e práticas de inovação.

* Filipe Santos, Professor Catedrático, Dean of Faculty e co-diretor do PAEGI da Católica-Lisbon School of Business & Economics.

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